Em 26 de julho de 2010 retornei à Curitiba, para morar.
Vim com o intuito de ficar mais próxima de meus filhos, que estão todos no Paraná – uns mais perto, outros nem tanto (nossa! Quantos!?!? Bom...somando-se aí a irmãmaisnovaqueémaisfilhaqueirmã, são quatro. E apenas Maya mora em Curitiba...).
Temporariamente estou morando com Maya, até achar meu canto.
E decidi que meu canto vai ser meu canto mesmo. Quero comprar algo.
Aí surgem as dúvidas e as limitações...
Sempre que penso em comprar algo pra mim, um espaço meu, penso em algo diferente, com personalidade. Eita pessoa metida, essa, nénaum? E o que é pior: metida e dura.
Mas já aprendi com meu pai que “sonhar não custa nada”... de mais a mais, nem sonho sonhos impossíveis.
Quero algo com charme, espaço, que eu goste e me sinta à vontade... de preferência um edifício antigo (são de cômodos maiores, pé direito mais alto, condomínio mais baixo e normalmente, edifícios menores, que os torna menos impessoais... tá, eu sei. Tem a estrutura hidráulica e elétrica antiga, normalmente pedindo reformas urgentes). Mas um apartamento grande num edifício novo num bairro charmoso custa sabe quanto???? Muito! Muito além do que posso pagar, principalmente.
Andei olhando anúncios de apartamentos em bairros que gosto, próximos ao centro: Cristo Rei, Juvevê, Ahú, Alto da XV, Cabral – e fui até o Cristo Rei, na Sanito Rocha, olhar um duplex. Lindo! Pequenininho, charmosinho. Pequenininho demais pro meu gosto. E sem garagem. Tá, tudo bem, não tenho carro. Mas e Maria Rita? Onde vou deixá-la? Se for pra morar em bairro,garagem é imprescindível! Sem contar que custava R$140.000. No centro, garagem não é tão necessária, afinal trabalho aqui, posso muito bem ficar sem carro por um tempo... aliás, Maria Rita fica num estacionamento, e o preço por moto é muito menor que o de carro!
Fui, com Olga, à Feira de Imóveis que aconteceu no fim de agosto, e tenho que confessar que me senti muuuuuito pobre. Quando dizia ao corretor que procurava um apartamento de dois ou três quartos, no Centro ou próximo,de até uns 150 mil, era olhada como E.T..
Gente, como é que pobre vive neste país??? Cadê o famoso “minha casa, minha vida”?
Se você financiar em torno de cem mil reais, sua prestação (com taxas de juros de 8,4% ao ano mais TR) sai algo em torno de mil reais. E aí? Mais condomínio,luz, água, pronto! Lá se vão mais uns trezentos reais.
Quem ganha um salário mínimo, então, não pode financiar casa própria? Não pode sonhar?
Putz.
Então, começamos a saga no Centro, e posso dizer, não é algo muito divertido procurar apartamentos – por mais que possa parecer.
Comecei olhando, há mais de um mês, apartamentos no centro bem centro mesmo, se é que me entende: dois apês no Tijucas – coração de Curitiba, bem na Boca Maldita, ambos com dois quartos, condomínio baixo e local privilegiado... mas ambos meio esquisitos, escuros, tortos, e apesar do preço excelente (R$132.000 e R$140.000) não me vi morando em nenhum deles.
Olhamos também um no Edifício Asa, esquina da Osório, coração de Curitiba também, tudo pertinho de casa, e... o apartamento era lindinho, ótimo, sala enooorme, dois quartos razoáveis, tudo com armários, preço óóóóótimo... o porém? A cozinha fica escondida no armário... não, tudo bem. Ela até que é funcional, posso viver com ela, mas o banheiro, ah... este não dava. Ele todo mal me cabia de pé... não, não. Apesar do preço ótimo, R$138.000.
Vi um na Muricy, quase esquina com André de Barros: xonei na hora! Grande,dois quartos grandes, cozinha grande, dependência de empregada, despensa. Enooorme! R$140.000. Mas o lugar... achamos meio “punk”, ficamos na dúvida, não foi então paixão avassaladora. Desisti.
Aí olhamos um excelente, no comecinho da Vicente Machado, quase em frente à panificadora 24 horas, tudo ali pertinho da Osório, como podem ver... mas este custava R$150.000 e apesar de ser bom, claro, arejado, era com carpete e o condomínio quase R$400, quem merece? Ia ficar uma cacetada mensal, prestação + condomínio,aí... não deu pra encarar, então, desisti.
Cheguei à conclusão de que era melhor me aquietar, pagar aluguel mesmo, e ir levando, mas meu coração continuava inquieto – e desejando meu cantinho.
Só que nesta história toda já estava pensando, com mais credibilidade do que gostaria, que não ia,nunca, encontrar um cantinho legal, num preço legal, que eu pudesse pagar.
Melhor sossegar o facho mesmo.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
=(
Febre, dor no corpo (alguém invadiu meu quarto enquanto eu dormia e me bateu sem dó nem piedade), dor de cabeça, tosse seca (tive que correr atrás de um dos pulmões quatro ou cinco vezes hoje).
Que o mundo acabe.
Em cama quentinha, chazinho e silêncio.
Que o mundo acabe.
Em cama quentinha, chazinho e silêncio.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
(Re) Conhecimento...
Três mulheres no carro, voltando de Piraquara após uma manhã de trabalho voluntário. Duas quase curitibanas, uma goiana com espírito meio baiano. As três trabalham na mesma empresa, mas apenas duas já se conheciam: as quase curitibanas. A outra só entrou na história no início da manhã, movida pelo interesse comum do voluntariado.
"Meu apartamento é pequeno, mas gosto de morar só. Tive experiências de moradias coletivas que não foram muito boas... morei numa casa de estudante, depois numa república e não foi legal..."
"Uma casa de estudante? Qual?"
"A CEUC."
"Sério que você morou na CEUC!!!???!!! Que legal!!! Eu também!"
"Vocês moraram na CEUC? Sério? Eu também!"
"Não acredito!!! Foi uma das melhores épocas da minha vida..."
"...da minha também..."
"...já pra mim não foi tão bom assim... "
Seguiu-se daí uma conversa de conheceu fulana, conheceu beltrana, morou em qual quarto??? Infelizmente épocas diferentes, nenhum conhecido a não ser Irene, quase patrimônio da Casa. Mesmo assim uma sensação boa de "pertencenimento" no peito. De ter encontrado referências comuns.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
De volta pra casa...
Sol. Temperatura amena. Incrível: Curitiba se vestiu de luz pra minha volta.
Foi interessante minha volta à esta cidade fria que amo.
Meu olhar, diferente das vezes em que estive aqui nos últimos anos, não era de saudade - e sim, de reconhecimento . As ruas no caminho do Aeroporto até o Centro, cheias de amores perfeitos multicores, trazem de volta histórias boas, episódios vividos em outras épocas, quase outras vidas - mas tão bons de relembrar!
Sim, estou de volta.
De volta pra casa. Se é que, na verdade, tenho entre tantos lugares que amo um que possa chamar assim.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
...
"Mãe, minha pálpila tá doendo!"
"Sua o quê, filha???"
"Como é mesmo o nome disto aqui?"
Aponta para a pálpebra, ciente, pelo tom da voz da mãe, que havia errado algo.
Aponta para a pálpebra, ciente, pelo tom da voz da mãe, que havia errado algo.
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Putz, que mãe cruel. A menininha mal tinha três anos, e já tinha vergonha de errar uma palavra.
Não sei se eu queria uma mãe assim pra mim.
Não sei se eu queria uma mãe assim pra mim.
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Por outro lado, a menininha cresceu, virou jornalista e escritora - e é muito boa no que faz.
Acho que eu queria uma filha assim pra mim.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010
Receita de sopa
Você frita o alho, dois ou três dentes, em um pouquinho de óleo. Acrescenta a carne (que pode ser músculo, posta vermelha, acém) em cubos, e deixa fritar bem. Coloca água e deixa cozinhar até a carne ficar bem macia, quase desmanchando (na pressão funciona melhor). Deixa a água secar, e quando a carne começar a fritar novamente, coloca cebola. Raladinha, ou picadinha bem pequeno. Deixa refogar, e coloca tomates. Maduros, sem sementes, raladinhos. Ou bem picadinhos. Refoga mais um pouco. Acrescenta cenoura em cubos pequenos, vagem picadinha, batata em cubos, mandioquinha salsa, sempre mexendo e deixando refogar. Tempera com sal e pimenta do reino, coloca água, bastante, e deixa cozinhar. Sem pressão, que é pra os legumes cozerem aos poucos, ao tempo em que o caldo vai engrossando. Então você coloca cheiro verde, acerta o tempero e tá pronta uma sopa quase creme... pra o frio que vi hoje no JN, acho que este vai ser o cardápio do mês todo em Curitiba.***
Mas o mais gostoso é quando a sopa tá pronta, o cheirinho pela casa toda e os filhos vão chegando, um a um. A gente se senta juntos pra aquecer o corpo com a sopa da mãe e a alma com a presença um do outro.
***
Esta receita também é conhecida por "Felicidade".
terça-feira, 22 de junho de 2010
sábado, 19 de junho de 2010
Conforte-me com maçãs
Capítulo 09, "Chovendo Camarões", Página 211:
"Ela abriu as portas de meu quarto e entrei, caminhando sobre grossos tapetes brancos até um banheiro de mármore branco. O quarto estava cheio de flores. Uma garrafa de champanhe repousava em um balde de gelo, uma cesta transbordava de mangostões e rambotãs. A mulher me conduziu até a porta de vidro do terraço e para fora até o parapeito. Abaixo de nós o sol rebrilhava nas águas do rio, como se a cortina de poluição pairando sobre a cidade tivesse sido aberta. Em Bangcoc, pensei, o sol brilha somente para os ricos."
***
Tudo bem, tudo bem. Isto, por vezes, acontece não só na Tailândia, mas no mundo todo.
Mas o que me chamou a atenção foi a cesta transbordando de mangostões e rambotãs... :D
Durante a breve visita de minha mãe aqui em Valença, Bahia, Brasil, comprei alguns frutos para que ela conhecesse, e fotografei, esperando uma inspiração para escrever sobre eles e seu gosto delicadamente diferente e, agora pela manhã, lendo o livro pelo qual estou encantada, encontro a passagem acima. Quem não conhece os frutos fica pensando em cachos lindos e exóticos transbordando pela cesta... pode até ser. Mas aqui não são vendidos em cachos, apesar de serem bastante bonitos.
***
Mangostão man.gos.tão
sm malaio manggustan 1 Bot Árvore gutífera da Índia e da Malásia (Garcinia mangostana).
2 Fruto desta árvore. 3 Farm Pericarpo deste fruto, usado como adstringente. Var: Mangusta, mangustã, mangosta e mangostã.
(Dicionário Michaelis Online)
Mamãe provando mangostão. Será que ela gostou?
(Tá, Paulinha, eu sei, eu sei. Tomar cuidado com o fundo... mas era a cozinha, e na hora nem me preocupei com tal detalhe...)
***
Originário do arquipélago malaio, o rambutan é muito semelhante à lichia, tanto em beleza quanto em paladar, pois pertencem à mesma família (Sapindacea).
(No Michaelis, não há Rambotão, sim Rambut, que leva à Rambuteira)
Infelizmente não pude registrar mamãe provando o rambotã... a moça do hortifruti foi muito gentil e partiu um na hora, pra ela provar. Eu estava sem a câmera. Mas posso garantir que teria sido uma foto muito melhor do que ela provando mangostão... rssss... impagável. E sim, sei que ela vai ter ganas de me matar quando ver este post, mas... não pude resistir.)
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Reflexos
Odeio essa porcaria deste notebook.
Que do nada deletou o texto que eu tinha escrito.
Odeio.
Prefiro computadores grandes, com monitores grandes, com teclados que não buscam traiçoeiramente atalhos que apagam do nada o texto que você tinha escrito sem rascunho porque a porcaria do blogger salva automaticamente mas ele não tinha salvo aí você perde tudo.
Os cinco minutos de inspiração e genialidade que demoraram muitomuitomuito tempo pra aparecer se vão em um segundo de distração.
Ah, estava tão legal o texto...
Saco.
Que do nada deletou o texto que eu tinha escrito.
Odeio.
Prefiro computadores grandes, com monitores grandes, com teclados que não buscam traiçoeiramente atalhos que apagam do nada o texto que você tinha escrito sem rascunho porque a porcaria do blogger salva automaticamente mas ele não tinha salvo aí você perde tudo.
Os cinco minutos de inspiração e genialidade que demoraram muitomuitomuito tempo pra aparecer se vão em um segundo de distração.
Ah, estava tão legal o texto...
Saco.
domingo, 2 de maio de 2010
Comemoração
"Parabéns, Lu. Você passou na Federal."
Isso foi dito tão tristemente, tão pra baixo, que não acreditei que fosse verdade. Eu estava em Maringá, hospedada na casa da tia de minha amiga Luciana, fazendo prova pra UEM. Chego da prova, último dia, e recebo a notícia, mas do jeito que foi, não acreditei. Não me toquei, na hora, que é porque Luciana, que tinha feito prova pra psicologia na Federal, não tinha passado.
Viajo à noite, e chego em Foz sexta de madrugada: rodoviária cheia, muitos amigos, cartazes, festa. Era verdade, afinal.
"Parabéns, parabéns!"
Agora com a alegria de pai, mãe, família, amigos, todos que torciam muito por mim.
"Churrasco hoje à noite pra comemorar!"
Meu pai não cabia em si de orgulho, de felicidade, de realização. A primogênita era também a primeira neta a passar no vestibular numa instituição federal, orgulho de toda a família, enfim.
"Filha, o que você quer?? Pode pedir!"
"Posso mesmo, papai? O que eu quiser?"
"Claro! Você merece!"
"Posso tomar um porre?"
"Pode!"
...
E assim foi. Trocentas cervejas e nem alterava-se minha alegria natural. "Que coisa é essa, que bebo e nada? Não entendo porque este povo gosta de beber, então!"
Aí acontece minha perdição: passa alguém com um big copo de caipirinha. "Experimenta, Lu."
"Hummmm, é bom", e viro o copo. E o porre chega num átimo. Rapaz, foi histórico. Eu brigando porque a Ju estava lá, e sabe-se lá porque cargas d'água eu não a queria ali, minha mãe tentando me acalmar, todo mundo feliz mas preocupado, e eu só queria papo com Helena. "Baixinha, eu te amo!" Banho pra melhorar e dormir? Só se a Baixinha cuidar de mim, mais ninguém. E claro, logo depois, apaguei.
Acordei no outro dia nova em folha, todos dormindo, limpei toda a casa, lavei a louça, lavei garagem, calçadas, e fui pra casa da Nadir (mãe da Ju, santa criatura). Depois pra casa da Vilma, até o povo todo acordar. E o dia foi assim, sem ressaca. "Que coisa é essa, que o povo reclama de ressaca e não sinto nada? Acho que posso beber sempre, então!"
...
Domingo pela manhã acordo e abro os olhos. O teto vem bater na minha testa. O dia todo enjoada, dor de cabeça, corpo ruim, ressaca é isso??? Não bebo nunca mais!
...
Claro que bebi outras vezes. E tive inúmeras ressacas - de alguns porres históricos, como o da noite de núpcias (rapaz, pode acreditar!). Mas o meu primeiro porre, ah, não dá pra esquecer. E agora descubro que Adriana, amiga querida que estava lá, tem fotos. Prá lembrar e matar a saudade - da adolescência, de pessoas amadas, do meu pai. Que foi o melhor pai que eu podia ter desejado no mundo.
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