terça-feira, 17 de abril de 2018

Por mais Malus e Celsos no mundo.


Foi por causa deste cartaz, no caminho entre o consultório e minha casa, que voltei e entrei na banca de revistas.
E tive o prazer de conhecer a Malu e o Celso, que estão ali há 34 anos - dos quais, 32 sem férias. Abrindo as portas 363 dias no ano, sendo as exceções a sexta-feira santa, o natal e o ano novo.
Enquanto estou lá, conversando com eles, um  dos clientes busca figurinha da copa - e penso que este casal fantástico, de energia boa e sorriso fácil, vendeu figurinhas de oito copas. É muito tempo!
Vão fechar porque o movimento já não é o mesmo, a segurança muito menos: nos primeiros 32 anos nunca sofreram sequer um assalto, nos últimos dois foram vítimas de quatro. Também querem curtir o netinho que chega em novembro.
E porque colocaram o cartaz?
"Em todo este tempo não fizemos apenas clientes, sim amigos. Temos clientes que vimos crescer, imagina! E não dá pra simplesmente fechar, é nossa história."
Achei isto de uma lindeza inenarrável.
Eles se importam. Apenas se importam - não terão mais vantagens ou  lucros com os clientes, pois fecharão as portas. Mas se importam.
O mundo precisa de mais Malus e Celsos.

domingo, 26 de novembro de 2017

Ex.tra.or.di.ná.rio

Ela recebeu a missão de escrever sobre sua vida extraordinária.
Pra ter certeza de que fará certo, busca o velho amigo Michaelis - que complica um pouquinho sua vida, como assim dez significados???

Tá.
Faz uma intro-retrospectiva e resolve que será mais fácil falar de fatos que a trouxeram are aqui por itens.


- É a filha mais velha de quatro irmãos, e foi a primeira neta, tanto do lado materno quanto paterno. Isto definiu muito de sua personalidade.
- Cresceu passando as férias em fazenda: chupou manga no pé, construiu cabanas, subia em árvores, aprendeu a fazer polvilho e doces caseiros.
- Ainda muito pequena caiu de uma "pinguela" em um rio - e saiu toda faceira, contando pra mãe que tinha "nadado" sozinha.
- Fez polvilho, doces caseiros, linguiça artesanal.
- Aos doze anos matou sozinha, a pauladas, uma cobra coral. E depois passou dias tendo pesadelos, olhando a noite fora das paredes de pau a pique do quarto em que dormia nas férias.
- Não tinha medo: foi a única menina a caçar, junto com os meninos, um rato incauto que apareceu na sala de aula.
- Fazia parte da galera que, no terceiro bimestre, já tinha fechado às notas da escola. E faltava a aula no quarto bimestre para ir ao clube, aproveitar a piscina.
- Debutou, aos quinze anos, no primeiro baile do Floresta Clube - e ainda ganhou presentes pra isto.
- Foi oradora da turma de formatura do segundo grau - uau!!!
- Ministrou aulas no extinto Mobral, alfabetizando adultos, quando tinha dezessete anos.
- Passou nos dois vestibulares que fez, e escolheu a Federal em detrimento da Estadual.
- Nunca sonhou com casamento ou casa própria - sim com viajar e desbravar o mundo.
- Foi pedida em casamento quatro vezes, mas casou com o melhor amigo - que tinha virado namorado. Porque estava grávida. E parou a faculdade por isto.
- Gerou quatro filhos, mas um é uma estrelinha no céu.
- Terminou o curso levando as filhas pequenas pra assistir aula com ela, numa das salas da Santos Andrade.
- Fez curso de corte e costura para costurar para as filhas pequenas.
- Fez artesanato, ama cozinhar, adora contar histórias. Gosta de escrever, mas nunca publicou nada - a não ser textos numa coluna semanal do jornal em que a filha trabalhava.
- Teve um texto escolhido para publicação - e leitura pública - numa edição especial da Fundação Cultural de Curitiba.
- Viajou de carona algumas vezes, em época pré bla-bla-car, quando se ia pra estrada com o dedão levantado é uma plaquinha dizendo o destino.
- Participou de um rally com os irmãos, que são seus melhores amigos.
- Morou numa ilha - ama o Mar.
- Trabalhou com projetos culturais, sua paixão, numa Fundação municipal. Trocou pela segurança da carreira de uma estatal. Chegou à função gerencial, mas decidiu ser delegada sindical.
- Viajou sozinha, algumas vezes, numa moto de 150 cilindradas.
- Viveu alguns amores, sofreu e fez sofrer.
- Acredita, sempre, no lado bom das Pessoas.
- Tem muitos Amigos. A maioria, há décadas.
- Escreveu, com o filho, a história de um anjo de asa quebrada. O filho tinha seis anos.
- Gosta de escrever cartas para as Pessoas que ama.




domingo, 13 de agosto de 2017

Sobre aniversários - e a brevidade de existir

Estava tudo pronto pra passar o fim de semana do meu aniversário - e dia dos pais - na praia, casa de uma querida amiga.
Porque sim, sou destas que ligam e dizem "ei, Amiga, gostaria de comemorar meu aniversário na praia, pode me hospedar? E não, não vou só: levo filha, irmãos, cunhadas, sobrinhos."
Em minha defesa o fato de que só sou assim porque sempre tem os malucos que dizem "vem, Amiga, você é sua família são muito bem vindos".
Estava tudo pronto, malas, compras, irmãos, quando o telefone toca às seis da manhã: "Amiga, tenho uma notícia horrível: meu irmão morreu".

Claro, não fomos para a praia.
Eu queria descer, estar com ela neste momento terrível - mas o irmão, vindo de São Paulo, pedia minha presença. Assim, passei o fim de semana dividida entre a alegria de estar com meus irmãos e a tristeza de saber que minha queridamiga velava o seu.
Não consigo sequer imaginar sua dor - só de tentar, meu coração fica pequenino e dói, dói, dói. Terrivelmente.
Orei muito pedindo força e paz para ela e toda sua família, que possam passar por este momento da forma menos dolorosa possível.

E me peguei pensando, a todo instante, no quanto a Vida é breve, afinal.
Olhava os sobrinhos, os irmãos, as cunhadas, a filha e pensava em como devemos aproveitar cada momento junto àqueles que amamos, em como devemos ser perdulários em abraços, em beijos, em carinho e declarações de Amor.

Meu quinquagésimo terceiro ano chegou com a certeza de que quero mais e sempre estar com quem amo, porque é tudo o que importa. Porque a Vida é breve, mas o Amor eterno. E vale vivê-lo da melhor maneira enquanto podemos.

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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Um detalhe quase original

Quase na virada do século - ops, do milênio - ela teve uma ideia genial para complemento de renda: uma empresa de telemensagens.
Detalhe Original, o nome.
Original, quando este era o negócio que pipocava em cada esquina?
Original, sim. Em sua concepção e execução.
O cliente ligava solicitando o serviço. Contava sua história com o homenageado: um fato específico, uma característica especial, algo único que gostaria de dizer. Com estas informações, era escrito um texto personalizado para aprovação. Que era lido em tempo real, com música de fundo específica escolhida para aquela mensagem especial.
Lembremos que eram tempos pré Google: necessário ter o aparelho de CD e a mídia com a música escolhida. Não, não era fácil. A vantagem é que o serviço custava cerca de 30% a mais do que as mensagens padrões com textos padrões e vozes melosamente padronizadas.
Tá, tudo bem.
Estas mensagens também acabavam por seguir certo padrão, também melosamente piegas. Ah, a gente tá falando de sentimentos, né? Pai, mãe, amores, não dá pra fugir de clichês.
Havia ainda a parte de mensagens ao vivo e a cores, senhoras e senhores. Com direito a fantasia e o escambau - o que é um capítulo à parte.
Completavam o cast da empresa, além de Mônica, amiga/sócia, os filhos. Que faziam desde panfletagem até criação e execução - viva a veia artística familiar!!!
Ela se orgulha muito da criatividade dos filhos.

Corta para domingo, nove de maio de 2017, dia das mães.
Ela está em casa, sozinha, se arrumando para almoçar com as filhas - o filho não pôde vir este ano. O telefone FIXO toca e ela se assusta. Será o Moacir Franco oferecendo plano funerário em pleno domingo de dia das mães? Mas ela lembra que uma das tias não migrou pra o universo móvel, e atende meio desconfiada, "alô?".

"Bom dia! Posso falar com Lucemary, por gentileza?"
"Quem quer falar?"
"Meu nome é Mônica, sou da telemensagem "Detalhe Quase Original" e tenho uma mensagem para ela".
A gargalhada pode ser ouvida no apartamento de baixo, e mal consegue falar, chorando de rir com a pegadinha muito bem sacada - que acabou sendo mais do que isto, obviamente.
Ao som de Kenny G - de longe o mais escolhido pelos clientes à época da empresa - seguiu-se uma mensagem original e, claro, piegas. Que a fez alternar entre o pranto e o riso, e se sentir originalmente especial.
Maya acordou sem saber bem como comemorar de forma marcante este dia e, numa sacada não menos do que genial, escreveu um texto lindo que foi lido pela colega do apartamento - coincidentemente, Mônica.
E trouxe de volta memórias indescritíveis de um tempo tão gostoso.
Viva a veia artística familiar!!!!
Ela é muito feliz pela criatividade - e senso de humor - dos filhos.


domingo, 27 de março de 2016

Sinais

É domingo.

Páscoa: renascimento, renovação.

Céu azul na cidade cinza.

Esperança no coração.


terça-feira, 22 de março de 2016

Noite. Eternidade.

Na cidade cinza a noite cai.
Cinza continua a alma.

O pensamento teima em atropelar o sono.
Memórias desfilam em procissão,
andarilhos errantes que voltam,
ciclicamente,
ao mesmo lugar.

Em ladainha entoam seus erros,
um a um, escarnecendo sua dor,
fazendo chagas de cada lembrança.

A noite se vai como uma eternidade
em que expurga suas culpas
l e n t a m e n t e.

segunda-feira, 21 de março de 2016

O que você faria?

Se o médico, olhando seus olhos, dissesse que sua expectativa de vida é de meses?




quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Noite

Amanhece na cidade cinza.
A chuva, que caiu mansa durante toda a noite em ritmo monótono, se foi.
O ar é frio, o céu carregado.
As lembranças, companheiras na noite insone, reviveram toda uma história.
A memória não se apaga apenas porque se quer.
Os sentimentos permanecem.
A vida segue.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Reencontro

Os últimos tempos tem sido de desleixo. Total.
Não faz exercícios, não escreve, não sorri. Engordou. Não se cuida.
Não faz nada que ame, que a complete.
Abandonou os amigos, as festas, a caneta, o artesanato. Não consegue ser feliz.
Prostra-se na cama  jogando apática, com o robô, um jogo de cartas qualquer.
Todo dia, dia após dia.
Na mente um único pensamento, no coração peso enorme. E saudade imensa.
Está se enterrando em angústias, fenecendo nesta rotina.

Mas não desistiu, apesar.
Todos os dias conversa com o Senhor de Tudo, agradece, pede compreensão, sabedoria, aceitação, ânimo.
Todos os dias abre seu coração.
Até que, um dia,  a dor já não dói tanto.
Até que um dia o sorriso voltou.
O coração amanheceu leve. Os olhos, com brilho.

Nada mudou. Apenas encontrou-se consigo mesma no sonho.
E ouviu a voz dizendo "Você não precisa disto. Não merece isto."
E sentiu saudade daquela que deixou atrás de si.
Não pode voltar, mesmo que queira, sobre seus passos.
Mas pode traçar o caminho pro seu resgate.
E já começou a caminhar.

Já está na busca daquela do sorriso largo, dos olhos brilhantes, dos passos leves.
Que acredita nas pessoas, que não gosta de mentiras, que sonha.

O reencontro está traçado.

A música do dia

Amanhecer

Ela acordou com o coração leve.
E sabe que tudo vai dar certo.
A vida acontece assim, quando menos se espera.