quinta-feira, 4 de junho de 2015

Seus sonhos. E os planos do Universo.

Anda ausente, até de si.
Nem adianta dizer que é um momento de crise.
Que vai passar.
Que logo retoma o ritmo normal.
Não há, efetivamente, nenhuma garantia disto. 
E o que tem feito é passear. 
Por seus pensamentos.
Por suas memórias. 
Pelo universo virtual, visitando alguns blogs.
Três, particularmente, a fizeram enredar em suas idiossincrasias, suas certezas e incertezas, seus medos e anseios, suas buscas, encontros, desencontros. 
Está com o texto na cabeça há mais de duas semanas, sem saber ao certo como colocá-lo no papel.
 Ainda não sabe, considerando que muitas ideias se perderam no decorrer dos dias, no fluxo dos pensamentos. 
Ainda assim, precisa listar palavras cruciais que desencadearam a crise de reclusão:

Sonhabilidade.
Ressignificação.

“Houve um tempo que...”.
Clichês, paradigmas.

Realizações.
Cotidiano.

“...pequeno embate das entrelinhas...”

Amor.
Cumplicidade.
Parceria.

Estas palavras, encontradas em posts esparsos, fizeram com que ela se visse, de repente, questionando a vida. 
Tudo na sua vida.
Desde a profissão que escolheu, a profissão que exerce,  o que não planejou pra si, o que sonhou pra si, os amores que viveu. 
Se viu questionando relacionamentos, atitudes, pensamentos. 
Valores.
Ponderou sobre sonhos, sobre efetividade, sobre objetivos. 
Sobre erros e acertos. 
Sobre a pessoa que enxerga no espelho. 
Em que momento a menina sonhadora, que tinha o mundo pela frente e pés descansados para percorrê-lo, se cansou. 
Em que ponto aquela menina depositou seus sonhos na beira do caminho e sentou-se à margem, observando o fluxo apenas. 
Em que exato momento ela se deu conta de que o mundo era maior do que ela podia, e desistiu da parte que lhe cabia.
Principalmente, em que lugar ela se convenceu que não merecia o amor.
E se feriu.
De morte.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Do Facebook

De uma amiga:
"Alice ouviu do Coelho que eternidade pode durar um segundo.
Sorte é aquilo que se atribui a quem viveu, ao menos uma vez, um amor eterno."
Carol mazzeo

De um amigo:
"Eu quis te convencer, mas chega de insistir. Caberá ao amor o que há de vir."
Tiago Silva

De um mestre:
"Tudo tem seu tempo.
Tudo tem seu preço.
Menos o tempo,
Que não tem preço."
Otto Leopoldo Winck

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Ao vivo. À flor da pele.

Tinder. Badoo. Happn.
"Você pre-ci-sa ter estes aplicativos! Pra quem está solteiro, é o canal!"
Tá. Foi lá, baixou.
Primeiro contato:
"Linda. Você é linda. Linda demais! Gata."
Próximo!
"Linda e simpática! Onde você mora? Vamos sair hoje?"
Próximo!
"Sou casado, mas vivo uma relação aberta."
Próximo!

Chega. Não rola, não vai.
Não tem paciência pra "gata", "linda", "gata". Conversas ocas sem sentido que levam a lugar nenhum.
Precisa de mais.
Gosta, sim, de conversar. Sobre tudo. Filhos, vida, música, sonhos, decepções. Palavras são essenciais, afrodisíacas.
Elogios são bons. Até bom começo, diria. Mas ela está muito mais pra loba do que pra gata, prefere outros elogios. Outras abordagens.
Sexo é bom. Percebe que todos (pelo menos os que cruzaram seu caminho virtual) querem isto.
Apenas. Sexo. Casual.
Pra ela sexo por sexo, neste momento, não rola.

Apaga os aplicativos, não sem certa dúvida... talvez... mas sua paciência não resiste.

Chega em casa à noite e a filha está saindo pro mercado. Vai com ela.
Na esquina cruza o olhar com o do morenoaltolindodebarba. Frio na barriga.
Dois passos e olha pra trás. Ele também parou depois de uns passos e está olhando pra trás.
Ela ri, contente. Seu ego, um tanto maltratado, sente-se renovado.
Mais uns passos e, na porta do mercado, resolve olhar de novo. Quem sabe?
Ele está lá, na esquina onde se cruzaram, olhando. Esperando. Acena pra ela.
Que, covarde, entra apressada no mercado com a filha.
Mas depois fica pensando que poderia ter voltado pra conversar - ele fez a parte dele.

Não sabe ainda se é por sentir-se constrangida com a presença da filha.
Não sabe se perdeu o jeito, depois de tanto tempo.

O que sabe é que sentiu-se viva. Bonita. Atraente.

Coisas que aplicativo nenhum substitui.

É a vida, lembrando é assim que acontece.
Mais cedo ou mais tarde.
Ao vivo.
A cores.
Olhar, pele, cheiro, toque.

No momenro certo.

Leminskiando










"Amor, então, 
também, acaba? 
Não, que eu saiba. 
O que eu sei 
é que se transforma 
numa matéria-prima 
que a vida se encarrega 
de transformar em raiva. 
Ou em rima."

sábado, 2 de maio de 2015

De amores e afins

Desde sempre foi diferente.
Preferia as brincadeiras da rua, com os moleques, do que as de casinha.
A avó já previa "você vai ser péssima dona de casa!".
Não se acertava com as artes do bordado e da costura que ela insistia em ensinar.
Até muitos anos depois, quando se apaixonou pelas artes manuais (mas isto é outra história).
Era forte.
Defendia seu ponto de vista, sua opinião.
Marcava seu território.
Dentro do corpo de menina habitava um macho alfa.
E não, nada a ver com orientação sexual. Sim com atitude de vida.
Um dia, sabe-se lá cargas d'água porquê, resolveu ser mulherzinha.
Deixou-se aparar as asas. Parou de correr, de definir suas regras,
Quis ser meiguice e delicadeza.
Tola.
Essência não se muda.
Quem nasceu pra ser fogo jamais será fumaça.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Noturnos

Não consegue dormir, tamanha a confusão.
Em seus pensamentos, em seu coração.
Memórias, lembranças se sucedem.
O sono não chega. A paz não vem.
Deitada no escuro, ora baixinho.
Libertação, é tudo o que pede.
Paz no coração.

Resumos

Conversavam, os três, de pé em frente à sala de alfabetização para adultos onde ela atuava como voluntária. Havia retornado há pouco para a cidade, e sua melhor amiga tinha trazido o namoradinho de infância para revê-la.
O ano era 1980.
O assunto, projetos de vida.
E quando ela disse que pretendia ser mãe pelos trinta, depois de ter se formado, viajado bastante e se estruturado financeiramente (sonhar não custava nada, e é sempre tão bom na adolescência!), veio o diálogo:
"Não precisa se preocupar com isto, seu marido se preocupará."
"Não, não pretendo me casar".
"Ué, mas você não quer ser mãe?"
"E quem disse que pra ser mãe tem que casar?"
O silêncio que veio mostrou a ela como seu pensamento era "inadequado" aos tempos que corriam.
O tempo mostrou como estava errada.
Aos vinte engravidou. Casou. Com o melhor amigo. Que em algum momento havia passado a ser também um grande amor. E apesar de não acreditar em casamento, ela sempre acreditou no amor. Que não precisa de certificados para ser real, verdadeiro, válido.
A vida seguiu seu curso e, dez anos depois, se separaram.
Os motivos não importam, a dor maior foi perder o grande amigo de sempre.
A vida seguiu e agora ela tinha certeza de que viajaria o mundo, sozinha.
Sempre foi "a" criativa, "a" rebelde, "a" ousada da família. De onde estaminina tirava estas ideias? Ninguém tinha respostas, nem ela.
Mas as contas se acumulavam, e em épocas pré internet e blogs viajantes, não imaginava outra forma de se sustentar sem um trabalho formal. Assim, cedeu ao sistema.
Por outro lado, continuou sozinha, alternando breves amores. Até que conheceu aquele que mostrou que a vida é melhor a dois. Que provou por a+b que valia a pena abrir mão do que acreditava em nome de um grande amor, porque os dias assim eram mais felizes. E se entregou, e desejou casar e acordar todo dia nos seus braços. Por quase nove anos, a um grande amor vivido em sua maior parte à distância. Mas o coração é frágil, e os medos traiçoeiros. E quando a distância seria vencida, e a vida se anunciava perfeita, foi invadida por eles.. Medos irracionais e inexplicáveis. De que não fosse dar certo, de que as mudanças eram muitas, de que... ela nem sabe direito. E jogou fora este grande amor.
Não pensou na dor que ele sentiria, e mesmo ela sentiria.
Só que ele, ao contrário dela, sempre quis se casar. E quando se viu assim, abandonado e perdido, se entregou a outro amor. Que curou suas dores. E com quem se casou um ano depois.
Ela? Está tentando resgatar o que perdeu de si no decorrer destes nove anos. Aos poucos se torna inteira novamente.

Roupa Nova, De volta pro futuro é a trilha sonora deste texto.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Rotina







Abre os olhos na semi-escuridão.
Madrugada insone.
Até quando?

domingo, 26 de abril de 2015

Trilha sonora

Música pro fim de domingo na voz linda do Emílio.

http://youtu.be/7HoF6ySfSCU

Sábado de sol.

"Você vai direto em frente, não tem erro!"
O Centro Politénico da Universidade Federal do Paraná lhe parecia enorme. E todos os blocos iguais. 
Ela, garota do interior, nunca foi tímida. Mas o desconhecido, por mais que atraísse, a assustava. Continuou em frente, ainda sentindo-se insegura.
Na entrada de um dos inúmeros blocos, a garota linda que parecia modelo lhe sorriu um dos sorrisos mais lindos que já viu na vida. E isto trouxe coragem.
"Você conhece aqui? Sabe onde está acontecendo a aula inaugural de comunicação social?"
Não, ela não tinha certeza. Mas sim, elas poderiam procurar juntas, afinal era também o seu destino.
Foi assim que Claudia Gabardo entrou na sua vida, resgatando-a de uma situação em que sentia-se meio perdida, apesar de imensamente feliz.
Ontem toca o telefone: "Sei que é um pouco em cima da hora pra um convite, mas o que acha de uma feijoada na Fantinatto?"
Foi assim que, anos-luz depois, aquela amizade surgida no primeiro dia de faculdade a resgatou de um sábado solitário em Curitiba, transformando-o num dia deliciosamente especial, cheio de risadas, boa conversa, excelente caipirinha e a certeza de que a vida vale a pena.